domingo, 8 de abril de 2012

Feliz Recomeço! (Por Taynã Bonifácio)

Esse domingo é marcado pela celebração da Páscoa. Assim como outras datas festivas, o seu verdadeiro significado foi substituído por uma abordagem consumista, no qual todos precisam ganhar seu “Ovo de Páscoa” sem entenderem ao certo o que isso significa. Lembro-me quando criança que não entendia muito bem como os coelhos podiam botar ovos. Só as galinhas botavam ovos...


Apesar de ser considerado um evento tipicamente cristão, a festa da Páscoa já existia há muito tempo e marcava nos povos antigos o fim do inverno e a chegada da primavera. Uma passagem do tempo de trevas para o tempo de luz. Como festa cristã, ela marca a morte e ressurreição de Cristo e como festa judaica (pessach=passagem) marca o êxodo dos israelitas do Egito, ou seja a passagem da escravidão para liberdade.


E porque o Coelho da Páscoa? No antigo Egito, o coelho simbolizava a vida, o nascimento. Além disso, era símbolo da fertilidade e da vida em abundância.


Para quem é cristão, sabe o quanto esses últimos dias foram significativos na nossa tradição. A semana santa é repleta de cerimônias simbólicas. Para mim, a cerimônia do lava-pés é uma das mais marcantes, ao demonstrar a humildade de Cristo ao colocar-se “abaixo” de seus discípulos. Nesse ato, Jesus levantou-se da mesa, tirou seu manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura, colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos. Em nossa sociedade, somos ensinados a ter uma “postura de líder” muito diferente dessa.


A preparação para Páscoa nos ensina a “imitar Cristo” em seu exemplo. Carl Jung retrata muito bem a riqueza dessa ação ao dizer: “A exigência da ‘imitatio Christi’, isto é, a exigência de seguir seu modelo, tornando-nos semelhantes a ele deveria conduzir o homem interior ao seu pleno desenvolvimento e exaltação.” Contudo, devemos tomar cuidado com a superficialidade dessa busca, pois como acrescentou Jung: “mas o fiel de mentalidade superficial e formalística transforma esse modelo num objeto externo de culto; a veneração desse objeto impede (o homem interior) de atingir as profundezas da alma, a fim de transformá-la naquela totalidade que corresponde ao modelo”. A meditação nos ajuda nesse sentido aos nos mostrar que é impossível chegar a Deus se não chegarmos ao núcleo mais intimo do nosso ser. Então, que a Páscoa marque o nascimento de Cristo em nossos corações.


E para aqueles que não são cristãos, ainda vale o resgate da riqueza simbólica dessa data, marcada pela renovação e transformação. Para que com ela aprendamos a ter a vida em abundância. Ou como dizia Mário Quintana: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda- feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça...”. Então, que a Páscoa simbolize um recomeço, e que não esperemos um ano para que a chama dessa período seja acessa novamente em nosso corações. Que aprendamos olhar a cada novo dia como uma oportunidade de transformação. Que aprendamos a "morrer" para o que não é essencial e a "viver" para o que realmente vale a pena. Que o espirito de amor contagie nossos corações. Que aprendamos a viver a vida em abundância...


Feliz Recomeço!

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